Bom Dia, Ministro: Programas

09.03.2016 - No Bom Dia, Ministro, Nilma Lino Gomes fez balanço das políticas públicas voltadas para as mulheres




Transcrição:

APRESENTADORA KARLA WATHIER: Olá, começa agora o Bom Dia, Ministro, um programa produzido pela Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, em parceria com a NBR e com a participação de emissoras de rádios de todo o país. No programa de hoje, vamos falar as conquistadas e desafios das políticas públicas voltada para a população feminina, também sobre o enfrentamento a violência domésticas e familiar, e sobre os preparativos da 4ª Conferência Nacional de Políticas para Mulheres, aqui no estúdio com a gente está a Nilma Lino Gomes, que é Ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e também dos Direitos Humanos. Olá, Ministra, muito obrigada pela sua presença. Bom dia para você.



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Bom dia, Karla e para todos que estão me ouvindo, que estão me vendo nesse momento.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Bom, você que nos acompanha pode participar, enviando perguntas pelas nossas redes sociais, anote aí: facebook.com/tvnbr e twitter.com/tvnbr, e a gente já tem a primeira emissora linha, vamos até o Maranhão, rádio Timbira AM, de São Luís, a pergunta é de Roni Moreira. Olá, Roni, bom dia para você.

REPÓRTER RONI MOREIRA (Rádio Timbira AM/São Luís - MA): Bom dia a você, bom dia, Ministra. Bom, Ministra, a senhora esteve recentemente aqui em São Luís, se reuniu com o governador Flávio Dino e foram reafirmados os compromissos das políticas públicas conjuntas entre o Governo Federal e o Governo do Maranhão, e essa semana, o governador Flávio Dino assinou o decreto de instalação do Grupo de Trabalho Interinstitucional, o GTI, para adaptação das diretrizes nacionais, para investigar, processar e julgar com perspectiva de gênero as mortes de mulheres. Inclusive, o processo está sendo chamado de GTI do Femenicídio. Qual a importância, na sua opinião, Ministra, de ações como essa, de governos estaduais, como é o caso do Maranhão, tratando justamente desse tema?



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Bom dia a você, Roni Moreira. Bom dia para todos aí do Maranhão, um abraço para o governador Flávio Dino também. Bom, Roni, o que você nos coloca, me deixa muito satisfeita como Ministra das Mulheres, Igualdade Racial e dos Direitos Humanos, porque significa passos importantes para a concretização da política para as mulheres. Na Lei do Feminícidio, que é uma Lei Federal, ela só vai ter a sua efetividade, a sua aplicabilidade, se os estados e os municípios também participarem desse processo. Então, a criação do GTI, pelo governador e implementar em nível estadual o que tem uma orientação federal, na minha perspectiva, é um avanço sim, e um dia após o Dia Internacional da Mulher, estando no mês da mulher, acho que merece atenção e divulgação esse iniciativa, e espero que todos os outros estados caminhem nessa direção também, assim como o Maranhão.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Roni, você tem mais alguma pergunta para a Ministra?



REPÓRTER RONI MOREIRA (Rádio Timbira AM/São Luís - MA): Sim. São Luís também deve receber em breve a Casa da Mulher Brasileira, que é uma inovação no atendimento humanizado às mulheres, que vai oferecer uma gama de serviços para as vítimas de violência. Ministra, eu queria que a senhora justamente destacasse esses serviços.



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Então, você já anunciou algo importante, que é a inauguração da Casa da Mulher Brasileira, vai ser mais uma unidade, em São Luís, nós estamos prevendo para talvez o mês de abril, essa inauguração acontecer. E a Casa, ela faz parte de todo um serviço de atendimento, acolhimento e proteção para as mulheres que sofrem violência. Então desde a chegada dessa mulher, a denúncia que é feita, ao acolhimento psicossocial, há um espaço de acomodação enquanto ela aguarda decisões e encaminhamentos. Nós teremos, na Casa, temos já nas Casas que funcionam: Defensoria Pública, Ministério Público, nós temos delegacia. Então, uma série de serviços que nós, mulheres, precisamos, em casos de enfrentamento a violência e que o Governo Federal, junto com os governos estaduais e também os municípios, estão disponibilizando como garantia do direito. E um programa do governo federal, de enfrentamento a violência contra as mulheres.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Obrigada, Roni, pela sua participação, o Roni que é da Rádio Timbira AM, de São Luís, no Maranhão. Ministra, a senhora falou da Casa das Mulheres, né? Casa da Mulher Brasileira, enfim. O que mais faz parte dessa rede de apoio e proteção à mulher que hoje sofre violência?



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Nós temos também o Ligue 180 que é um outro programa de atendimento às mulheres que ligam, fazendo denúncias de situações de violência e são orientadas e encaminhadas. Além disso, a própria Casa da Mulher Brasileira que nós teremos a médio prazo, nós teremos em cada capital do país, nós teremos uma Casa da Mulher Brasileira. Nós já temos duas em funcionamento, uma em Campo Grande, a outra já está em funcionamento aqui no DF, e nós temos toda uma programação, dentro do que nós chamamos do programa "Mulher Viver Sem Violência", que diz respeito a Lei Maria da Penha, a Lei do Feminicídio, agora, muito recentemente, ontem, a nossa Presidenta junto conosco, o Ministério da Saúde, o nosso Ministério assinou a portaria interministerial que vai regulamentar e dar o acesso direito e o direito às mulheres, que sofrem violência, fazer cirurgias reparadoras pelo SUS, e elas serão encaminhadas e atendidas nesse direito. Ou seja, uma série de ações do ministério vem desenvolvendo, juntamente com a luta do movimento de mulheres, do movimento feminista, é sempre bom enfatizar isso, acho que para todos os que me ouvem, todos que veem aqui, nesse momento, que essa luta pelos direitos das mulheres, é uma luta que nós mulheres temos implementado historicamente no Brasil, e que as políticas públicas que vêm sendo realizadas, elas são respostas e o diálogo do Governo Federal com a sociedade e principalmente com os movimentos sociais e os movimentos feministas e de mulheres.

APRESENTADORA KARLA WATHIER: Bom, Ministra, a gente vai agora até Minas Gerais, vamos conversar lá com a Rádio Inconfidência AM, de Belo Horizonte. A pergunta é da Verônica Pimenta. Olá, Verônica, bom dia para você.



REPÓRTER VERÔNICA PIMENTA (Rádio Inconfidência AM/Belo Horizonte - MG): Olá, muito bom dia a todos, bom dia Ministra Nilma, nessa semana, dentro das mobilizações pelo Dia Internacional da Mulher, o movimento de mulheres bissexuais aqui em Minas Gerais, apontou a necessidade do estado brasileiro investir no atendimento à saúde especializado nesse grupo, e a alegação é de que os programas que já atendem a mulher e ao grupo LGBT não trata desse problema especificamente, devido a um nível de adoecimento mental, que existe por causa da condição social, do preconceito em relação às mulheres bissexuais. Inclusive, as militantes apontaram problemas porque não existem estudos brasileiros, não existe fomento... Há estudos brasileiros em relação à essa temática, e essa já é uma temática estudada por especialistas em Universidades Internacionais. Eu gostaria de saber, Ministra Nilma, se existe algum debate entre a Secretária e também o Ministério da Saúde nesse eixo, para atender as mulheres bissexuais e também para dar visibilidade ao problema de adoecimento, problema de saúde mental nesse grupo?



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Bom dia, Verônica. Bom dia para todos os ouvintes de Minas Gerais, meu estado, então, um abraço especial. Bom, Verônica, a sua pergunta, ela é muito interessante porque ela nos mostra também como que a nossa luta pelo direito das mulheres, e pela luta que nós temos em reação ao enfrentamento da violência que ainda nos assola, como ela é complexa, quanto mais nós vamos a garantia dos direitos, mais elementos vão aparecendo nessas situações ou de desigualdade, ou de necessidade de visibilidade, de aspectos da diversidade do ser mulher no Brasil. Então, o caso que você coloca, eu penso que ele é um novo desafio, digamos assim, que nós temos que enfrentar no campo das políticas, e se nós formos pensar que as políticas para as mulheres, elas abarcam todas as mulheres, nós vamos dizer que também as mulheres bissexuais e também a população LGBTI, ela estaria contemplada nessas políticas. Porém, o que eu acho que você nos traz, é uma especificidade de um determinado grupo que nós temos sim, que nos aprofundar mais. E aí, nesse caso, eu diria para você que hoje, o nosso Ministério, sendo o Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direito Humanos, nós vamos ter aí o cruzamento das questões dos direitos humanos, com também, as questões das mulheres, e isso é algo que nós vamos enfrentar e temos que enfrentar, e pensar em estratégias e alternativas para isso. Dentro dos trabalhos que nós já realizamos com o Ministério da Saúde, esse é um dos elementos que nós podemos pensar também em atuar. Mas eu volto a insistir que o mais importante, nesse momento, é que as nossas polícias consigam abarcar a diversidade de mulheres que existe. E assim, os grupos e os segmentos também, na sua própria diversidade, vão solicitando e demandando atendimentos específicos, e é assim que as políticas vão se aprimorando.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Obrigada então a participação da Verônica Pimenta, da Rádio Inconfidência AM, de Belo Horizonte, Minas Gerais. Bem, e a gente vai agora até o Pará. Rádio Belém FM, de Belém, Pará, vamos falar com o Antônio Carlos. Olá, Antônio Carlos, bom dia para você. Qual a sua pergunta?



REPÓRTER ANTÔNIO CARLOS (Rádio Belém FM/Belém - PA): Bom dia a todos. Bom dia, Ministra Nilma. Muito obrigada pela sua participação na Rádio Belém FM. Ministra Nilma, na situação aqui na região norte, a cada dia que se passa é crescente aqui a violência contra as mulheres. Eu gostaria de saber também se haveria alguma outra forma de diminuir essa violência na região norte, e quando é que está previsto aqui em Belém, no Pará, a Casa da Mulher Brasileira? Um bom dia para você.



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Bom dia, Antônio Carlos. Um abraço também para todos do nosso do nosso querido Pará. Antônio Carlos, de fato, o que eu quero enfatizar sempre é que esse trabalho das políticas públicas voltadas para o atendimento aos diretos das mulheres, é um trabalho que tem que ser feito conjuntamente, ele tem que ser feito não somente em nível federal, com também em nível estadual, municipal e distrital. Então a nossa expectativa é que as políticas que vêm sendo realizadas pelo governo federal, elas também se decentralizem nos estados e nos municípios. Então, a expectativa é que, por exemplo, leis federais que nós temos, elas possam desdobrar para o brasil como um todo, a Casa da Mulher Brasileira, nós queremos que as diferentes capitais do país possam usufruir desse serviço, e ainda não posso te dizer, que há uma data específica para Belém do Pará, mas falando para você, que está na nossa perspectiva, e até desses três anos que nos resta, nós queremos implementar todas essas Casas.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Antônio Carlos, você tem mais alguma pergunta para a Ministra Nilma Lino?



REPÓRTER ANTÔNIO CARLOS (Rádio Belém FM/Belém - PA): Seria possível a visita ainda este ano da Ministra na região norte, que possa apoiar o andamento dos projetos para as mulheres?



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Então, eu estive em Belém do Pará ano passado, em 2015, com uma outra proposta, um outro trabalho dentro do nosso Ministério. Naquela época, ainda tínhamos as Secretarias separadas, e agora, com certeza, eu quero fazer uma agenda em Belém, como agora como Ministério das Mulheres, Igualdade Racial e Direitos Humanos, e conversar com vocês e também com o movimento de mulheres, e os outros movimentos sociais sobre essas pautas, e a pauta da questão de gênero, da questão da mulher, é sim uma pauta importante para nós. E tenha certeza que breve estarei por aí.

 

APRESENTADORA KARLA WATHIER: Muito obrigada, então, a participação de Antônio Carlos, da Rádio Belém FM de Belém do Pará. E lembrando que você pode ouvir o áudio dessa entrevista no site da EBC Serviços, anote aí: www.ebcdserrvicos.com.br. Ministra, a gente tem agora uma pergunta em vídeo pelo por WhatsApp da Ludimilla Melo aqui de Brasília/DF, vamos então ouvir.



SRA. LUDMILLA MELO: Oi, eu sou a Ludimilla de Brasília. Ministra, apesar de todos os nossos avanços as mulheres ainda não conseguiram espaço adequado, eu queria saber quais são as próximas ações do Governo voltadas para nós.



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Tudo bem? É um prazer falar com a Ludimilla Melo, aqui do DF. Ludmilla, eu diria pra você que o nosso grande desafio e o nosso compromisso é consolidar as políticas e as ações que nós já temos desenvolvido. Então, os próximos passos que nós teremos que dar é a consolidação dessas políticas, a articulação dessas políticas em nível federal, estadual e municipal, ampliação do atendimento às mulheres vítimas de violência, e inclusive a divulgação, divulgação não somente dos casos, mas também das estatísticas de como nós já temos atendido essas mulheres e como várias situações já tem sido bem sucedidas no sentido de garantia dos direitos. Então, o nosso objetivo é que a nossa Casa da Mulher Brasileira aqui no DF, que já existe, seja um espaço de atendimento e acolhimento extremamente produtivo, e que as mulheres aqui do DF se sintam cada vez mais protegidas e cada vez mais acolhidas, não pela política do Governo Federal, como também na articulação com o governo distrital.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Bem, nós estamos apresentando o programa Bom Dia, Ministro, que hoje conta com a presença de Nilma Lino Gomes, Ministra das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos. E agora a gente vai até o Piauí, Rádio Verdes Campos FM de Teresina, a pergunta é de Danielle Sá. Olá, Danielle, bom dia para você.



REPÓRTER ALEXANDRE NASCIMENTO (RÁDIO ITATIAIA/BELO HORIZONTE - MG): Bom dia, ouvintes. Bom dia, ministra. O ano passado a gente teve um caso aqui muito emblemático no Piauí, numa cidade do interior onde quatro adolescentes foram violentamente estupradas. Situação de violência que repercutiu, inclusive, no Brasil inteiro. Isso mostra um pouco o cenário, né, do nosso país, não aqui só no estado, que esses índices aumentaram. Além das leis que a ministra já bem falou e bem explanou sobre, que outras medidas o Governo tem para a gente tentar diminuir isso e não acelerar isso, que até então não era tão gritante, não é só a mulher que é a violência que está cada vez mais latente.



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Bom dia, Danielle Sá, tudo bem com você? Um abraço também para o Piauí, que eu gosto tanto, Teresina, nosso governador. Bom, Danielle, você também aponta uma questão que é muito interessante, e que nos preocupa muito, que é o aumento do requinte dos casos de violências que incidem sobre as mulheres. Nós temos observado nos últimos anos que as estatísticas que cobrem os índices de violência, as situações de violência, elas têm ficado cada vez mais refinadas, e esses dados, eles também têm ficado mais refinados, porque nós mulheres temos denunciado mais, e se mulheres temos denunciado mais as situações de violência que sofremos, é porque também hoje nós temos canais que são canais de atendimento a essa mulher de encaminhamento a essa mulher, que são mais eficazes e mais efetivos. Você tem maior comunicação, maior informação, a maior busca dessas mulheres, etc. Agora, no caso da violência contra a mulher, nos preocupa, e essa é uma questão que nós temos que nos debruçar, é que ao mesmo tempo que nós recolhemos maiores denúncias que essas vítimas sofrem, nós mulheres sofremos quando somos vítimas da violência, os requintes de crueldade tem aumentado muito mais, isso nos preocupa para compreender como que ainda temos q eu superar o machismo, o patriarcalismo, e por isso, a Lei do Feminicídio, ela é extremamente importante, porque ela é uma forma também de condenação e ela muda nessa perspectiva no nosso próprio Código Penal, ou seja, as mulheres também que são assassinadas, por motivos de gênero, por motivos de violência, por serem mulheres, elas hoje são respaldadas na lei, e junto com a Lei Maria da Penha, nós entendemos que vamos conseguir avançar cada vez mais nessa situação.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Danielle, você tem mais alguma pergunta para a ministra?



REPÓRTER DANIELLE SÁ (Rádio Verdes Campos FM/Teresina - PI): Eu gostaria também de pergunta se a ministra tem agendado alguma ação ou visita aqui ao nosso estado, né, e em relação também ao... né, ao Piauí, como Nordeste, né?! Se ela tem alguma visita em sentido de ação aqui no nosso Nordeste ou até mesmo no nosso estado.



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Então, Danielle, eu estava verificando aqui, nós temos no Piauí a criação da primeira delegacia especializada em crimes de feminicídio, eu acho que isso é importante, porque o Piauí, ele tem se mostrado como uma referência em relação a isso. Eu estive recentemente no Piauí com um a outra agenda e, com certeza, eu pretendo voltar ao Piauí com o enfoque na agenda da questão das mulheres, da questão de gênero, com certeza.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Obrigada, Danielle Sá, pela sua participação. Danielle que é da Rádio Verdes Campos FM de Teresina no Piauí. Bem ministra, a gente vai agora até a Rádio Brasil Central, Goiânia, Goiás, a pergunta de Luzeni Gomes. Olá, Luzeni. Bom dia pra você.



REPÓRTER LUZENI GOMES (Rádio Brasil Central/Goiânia - GO): Bom dia. Bom dia, ministra. Bom dia a todos. Bom a minha questão é relacionada a um outro lado da mulher, né, porque nós estamos falando da mulher sempre como vítima, mas por conta de uma situação econômica, financeira e cultural, as mulheres estão cada vez entrando também mais no mundo do crime. Existe algum trabalho, a gente sabe que cientificamente não existe nenhum projeto, nenhuma pesquisa para poder determinar o quanto a mulher está num crime ou não, mas a gente vê nos noticiários dia-a-dia que elas estão cada dia mais presentes e mais violentas também, né, quer dizer, parece que é uma inversão até de valores das mulheres, e o que o Governo pretende fazer para poder tirar essa mulher do crime, e muitas vezes, inclusive coagidas pelos parceiros que muitas vezes estão detidos, ministra?



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Bom dia, Luzeni, um abraço pra você e para todos aí de Goiás. Bom, Luzeni, como você mesma fala, a questão da mulher e a situação que envolve todas as mulheres, ela é muito complexa, são muitas facetas, não é isso? De um mesmo fenômeno. E no caso que você coloca, nós já temos algumas ações que são voltadas para as mulheres que hoje estão em situação de encarceramento, nós temos algumas políticas que já vêm sendo discutidas e desenvolvidas, e eu acho que aí, você tem uma questão mais ampla que é a questão da violência e da criminalidade de um modo geral, e o recorte de gênero que é um recorte que hoje nós começamos a visualizar mais e a entender mais, que há diferenças aí no caso, quando nós temos homens e mulheres em situações como essa. Eu diria para você, Luzeni, que o próprio fato de hoje, nós estarmos atentos a essa questão, faz parte também de uma outra faceta da nossa luta pelo direito das mulheres, que é o protagonismo das mulheres como sujeitos. Então, nós mesmas temos mostrado para o Governo Federal e também temos mostrados para os outros órgãos públicos, uma série de facetas e dimensões do ser mulher, e da situação da mulher vítima de violência, essa é uma delas e é esse é um dos desafios também que nós precisamos enfrentar e construir alternativas, além das que já existem voltadas para as mulheres que já estão em situação de encarceramento.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Luzeni, mais alguma pergunta pra ministra?



REPÓRTER LUZENI GOMES (Rádio Brasil Central/Goiânia - GO): Sim, eu só queria falar sobre essa questão cultural também, porque a mulher, ela às vezes, ela já até já abordou de certa forma, a mulher, ela muitas vezes se sente como uma propriedade, né?! Porque a cultura, é nos imposta dessa forma, e a gente está tentando lutar contra isso, aqui em goiás nós temos um projeto da Polícia Militar que se chama Patrulha Maria da Penha, né, que é um grupo só da Polícia Militar indo atrás de casos relacionados aí a crimes doméstico, a violência doméstica, não só contra as mulheres, mas contra crianças também. E um fato que chamou muita atenção, é que uma dessas mulheres que foram atendidas, até falei com a tenente coronel que cuida, né, a comandante, ela disse assim que quando a mulher chegou até lá, ela falou: " não quero denunciar porque ele está batendo no que é dele", então, isso me chamou muita atenção, e eu queria saber o que nós podemos fazer como mulheres para mudar esse conceito, não só nas nossas mentes, mas das colegas também, ministra.



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Então, Luzine. A Patrulha Maria da Penha também, ela é acompanhada por nós, pela Secretaria de Políticas para as Mulheres aqui do ministério, nós temos também um outro serviço que é importante falar também, que são os ônibus que vão até o interior, até o meio rural, é como se fosse a Casa da Mulher Brasileira, porém com os especialistas que são levados até o interior via ônibus, essa é uma parceria também do Governo Federal com estados e municípios, e depois desse serviço começar a circular pelo Brasil, nós temos tido um número de denúncias muito maior das mulheres que vivem no campo, da mulheres que vivem em regiões ribeirinhas, por que também fazemos atendimento com barcos, mas porque eu estou falando isso, porque quando você fala dessa dimensão cultural, e de algumas mulheres se sentirem como propriedades e homens como proprietários e por isso podem exercer toda forma de violência, diz respeito a uma dimensão que é o próprio imaginário patriarcal, que nós temos na nossa sociedade e a própria prática de uma série de ações que são machistas e são sexistas e precisam ser combatidas via educação, via cultura, via políticas públicas e via legislação, garantia dos direitos em lei. Então, eu acho que também cada avanço e cada direito que vai sendo garantido para nós mulheres, ajuda na mudança deste imaginário, que as mulheres tem sobre si mesmo, muitas delas e que os homens têm sobre nós, mulheres, e principalmente, uma coisa que eu enfatizo muito, que é o que nós conseguimos de garantia após a Lei Maria da Penha, e a atual Lei do Feminicídio. Uma mudança cultural, ela leva tempo, mas se nós fomos comparar hoje a vinte anos atrás, o Brasil e as mulheres brasileiras já vêm tomando mais consciência dos seus direitos e minha expectativa é de que nós vamos avançar.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Obrigada, então, a participação das Luzeni Gomes da Rádio Brasil Central, Goiânia, Goiás. Ministra, agora a gente vai até Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Rádio Band News FM, a gente vai conversar com a Isabela Kuschnir. Olá, Isabela, bom dia pra você.

 

REPÓRTER ISABELA KUSCHNIR (Rádio Band News FM/Porto Alegre - RS): Muito bom dia, bom dia, ministra. Aqui em Porto Alegre, nessa semana, a Câmara de Vereadores aprovou um projeto de lei que estabelece que 20% dos taxistas da cidade devem ser mulheres, que é uma forma de incentivar as mulheres a assumirem antes considerados estritamente masculinos. A senhora apoiaria uma cota para mulheres na Câmara e no Senado do Brasil?



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Bom dia, Isabela. Bom dia para todos aí do Rio Grande do Sul. Olha, Isabela, na luta pela igualdade de gênero, eu apoio toda e qualquer iniciativa que garantir mais presença de nós, mulheres, nos diversos espaços sociais e políticos, e que garanta igualdade de gênero em qualquer espaço político, social, no mercado de trabalho, eu acho que nós mulheres lutamos por isso, e muitas vezes quando nós temos que implementar medidas de ações afirmativas, porque a própria sociedade demora tanto a mudar as suas estruturas para incorporar aquele sujeito em situação de desigualdade, de exclusão e discriminação, que nós temos que dar passos fortes e o Estado tem que dar passos fortes pra fazer essa inclusão. Então, essa também, a presença de mulheres na política tem sido uma luta do Movimento de Mulheres, nós temos o Congresso nacional, nós temos discussões feitas no Senado, na Câmara dos Deputados, e a nossa presença nos espaços políticas, ela é de suma importância.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Isabela mais alguma pergunta para a Ministra Nilma Lino?



REPÓRTER ISABELA KUSCHNIR (Rádio Band News FM/Porto Alegre - RS): Não, muito obrigada.



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Obrigada você, Isabela.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Obrigado então pela sua participação. Bem, ministra, a gente vai então até o Acre, vamos conversar com a Rádio Difusora Acreana em Rio Branco, vamos falar com M Jota. Olá, M Jota, bom dia pra você.



REPÓRTER M JOTA (Rádio Difusora Acreana/Rio Branco - AC): Muito bom dia. Bom dia a você. Bom dia à ministra. Bom dia a todos ligados, muito obrigado. Ministra Nilma Lino, muito bom dia. Nós sabemos que a pouca representatividade da mulher na política, inclusive aqui no nosso país, tem se tornado algo de muita discussão, pra você ter uma ideia, se nós fomos olhar hoje na Câmara Federal, é um número bem reduzido, nós fomos observar também no Senado, da mesma forma, as câmaras municipais dos nossos municípios também, haja vista que a mulher vem conquistando o seu espaço, buscando esse direito a igualdade, não seria o momento, por exemplo, neste mês em que nós comemoramos o mês da mulher, que houvesse um incentivo maior na participação da mulher, inclusive no setor político do nosso país, ministra?



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Bom dia, M Jota. Bom dia a todos aí do Acre. Um abraço ao governador e a todos os prefeitos. Eu estive no Acre recentemente, fui tão bem recebida, tenho boas lembranças daí. Bom, M Jota você também coloca uma discussão que já faz parte da luta do movimento feminista e faz parte das políticas que o Governo Federal tem implementado, que é a maior representação, maior representatividade das mulheres no meio político e na política, tanto o Senado Federal, quanto a Câmara dos Deputados, nós temos uma série de ações, temos comissões parlamentares que tratam dos assuntos das mulheres, nós temos a bancada feminina, que também articula muitas ações e uma dessas ações é a luta por mais espaços das mulheres na política, eu concordo com você que precisamos sim conquistar esse espaço, eu acho também que a própria conferência, a 4ª Conferência de Política para as Mulheres, que vai ser realizada em maio, esse tema é um dos temas que será debatido, porque o lema dessa nossa conferência que é "mais direitos, participação e poder para as mulheres", diz respeito também disso, o poder não significa apenas o poder econômico, o poder cultural, etc., mas o poder significa participar nos espaços decisórios do nosso país e os espaços políticos são espaços decisórios importantes e nós precisamos sim da presença das mulheres e da discussão que nós mulheres podemos levar pra esse espaço.

 

APRESENTADORA KARLA WATHIER: M Jota, mais alguma pergunta para a ministra? Bom, ministra, então dando continuidade aqui, a senhora já citou aí a 4ª Conferência de Políticas Públicas para as Mulheres, enfim, como é que estão os preparativos, o que vai estar em debate?



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Bom, as conferências estaduais, elas já foram realizadas, nós estamos terminando toda essa fase, a nossa conferência, ela vai ser realizada no mês de maio, de 10 a 13 de maio, tem uma participação intensa do movimento social para discutir essas temáticas, e esses três eixos que é direito, participação e poder para as mulheres, eles serão muito importantes no debate, porque faremos um levantamento de como tem sido e tem se constituído a situação da mulher, os direitos da mulher, enfrentamento à violência, etc., no Brasil de um modo geral, fazendo um balanço disso, a sociedade civil, junto com o Governo, nós vamos ponderar quais são os desafios que nós ainda temos pela frente e também caminhos para consolidar essas políticas, consolidar esses avanços, e, é claro, fazer toda uma avaliação da situação das mulheres, não só em nível nacional, mas também em nível internacional, para nós compreendermos como que esses avanços tem dialogado com um do campo mais amplo para além do Brasil.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Ministra, rapidamente para a gente encerrar. Que mensagem que a senhora teria para as mulheres brasileiras, especialmente as que sofrem algum tipo de discriminação, seja racial, gênero, enfim. Aquelas que ainda encontram barreiras pra conquistar o seu espaço no mercado de trabalho, né?! Que mensagem a senhora deixaria para essas mulheres?



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Denuncie! Ligue 180, nós temos o Serviço de Atendimento às Mulheres, não sofra violência, primeiro pelo respeito a você mesmo como mulher, a nós mesmas como mulheres e como cidadãs no mundo. Nós, mulheres, somos emancipatórias, e nós vamos fazer desse país uma democracia, denuncie.



APRESENTADORA KARLA WATHIER: Obrigada, então, ministra pela sua participação aqui no Bom Dia, Ministro e até uma próxima oportunidade.



MINISTRA NILMA LINO GOMES: Eu que agradeço, um abraço a todos e a todas e um bom dia para todo mundo.





APRESENTADORA KARLA WATHIER: Bom o Bom Dia, Ministro termina aqui, lembrando que você pode ouvir o áudio dessa entrevista no site da EBC Serviços, www.ebcservicos.com.br. O programa também vai estar disponível no nosso canal no you tube, www.youtube.com/tvnbr. Muito obrigada pela companhia, e a gente se vê no próximo Bom Dia, Ministro.

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